Vamos falar de mudança de planos?
Chega um momento em que... chega o momento.
Em junho de 2021, comecei no Substack. Conheci o ambiente a partir de entrevista que fiz como apresentador do podcast Ouça Outra Coisa. Era tudo mato. Como sempre é.
O fato é que desde lá, como em outros projetos de conteúdo, tentei de um tudo. Unifiquei bases variadas, fui interpretando os dados e limpando aqui e ali para deixar somente quem, de fato, abre os emails e…voilá… cheguei a vocês. Hoje somos pouco mais de 2500 pessoas. E somos lindos.
Mas sinto que não avançamos.
E isso tem a ver unicamente comigo. Digo isso porque já foram blogs, fóruns, podcasts (mais de 400 episódios entre roteirista, diretor, narrador e produtor), sites corporativos, ebooks…uma longa carreira em que…
…sigo nos meus pecados usuais: sou mais teórico do que o mercado precisa. Entro cedo demais nas modinhas que o mercado adora. Careço de certa resiliência e paciência para ver o resultado das coisas que começo. Daí, tenho notado já há alguns anos “O Padrão": frentes que abro, matos que capino…viram terrenos que outros constroem, moram e lucram. Ao pioneiro, a casca das batatas. Cruas.
Cheguei ao ponto de me resignar com a não-utilidade das coisas que faço ou tento fazer desde 2004.
“É isso”, pensei. Que seja por prazer, serei o mais diletante dos herdeiros bilionários que fazem o que querem da vida e do tempo que passam pelo planeta. Farei conteúdos com paciência artesanal e com o tempo terei um obra ainda mais consistente. Só tem um problema.
Não sou herdeiro. Pago boletos.
Vivo neste setembro de 2025 momentos que têm em comum seu tom decisivo. É como tentar respirar fundo em dias muito frios, tendo costelas quebradas, estando você de dentro de cômodos sem aquecimento, cercado de olhos atentos e, às vezes, hostis. Ou seja: dói. Mas você precisa de ar.
E o meu ar mora aqui. Gosto de produzir essa newsletter como jamais produzi outro projeto. É direta. Vai para cada um de vocês sem influência algorítmica. Até o dashboard é simpático para editar as news.
Por isso, para que floresça, vai rolar um reposicionamento. Uma queda à utilidade suprema que tanto tentei decifrar estes anos todos.
Não é pouco, então, começo esta edição com uma mudança significativa que repliquei por todos os cantos desta e demais redes que servem ao projeto mauroamaral.com. Ela se traduz neste novo posicionamento.
E já que estamos indo para certa simplificada, lá vai. Suponhamos que a gente se esbarre na padaria ou no elevador. Se você me perguntar o que faço, direi:
Explico para você ideias, conceitos e a cultura do mundo contemporâneo e como aplicar isso em projetos da indústria criativa.
Tá, mas por que isso agora?
O reposicionamento nasce deste grande incômodo que relatei acima. Mas também tem uma situação paralela que figura como igualmente desagradável.
Eu consumo muito conteúdo, por motivos profisisonais dos mais variados. Tenho notado que a cada dia que passa, mais e mais palavrinhas (vazias) da moda que nada querem dizer sem apropriado contexto ganham espaço e status de verdade.
Por onde olho, que não seja um dos exemplares de minha pequena mas bem curada biblioteca, elas estão lá. Seja no LinkedIn, ou em reuniões corporativas e até mesmo em conversas casuais.
Pode ser a aplicação incorreta de um termo que veio emprestado da Sociologia e da Antropologia. Pode ser aqueles carrosséis horrendos com falhas de pesquisa grotescas ou nexos de causalidade absurdos, relacionando nascimento de preás em Minas Gerais com o ocaso da empregabilidade da Gen-Z. Você já os viu. Confesse.
E eu não falo de preás, esses simpáticos.
Mas e se pudéssemos dar sentido a tudo isso?
A ideia central desta nova fase aqui da newsletter é mapear palavras-conceitos nascente, ou até mesmo tensões culturais, principalmente aqueles utilizados de forma errada ou fora de contexto, e explicá-los com profundidade e aplicabilidade prática.
Mais do que isso, a explicação vem embalada naquela metodologia gostosa do que chamo de “um-post-muitos-recortes” - onde um único conteúdo aprofundado se desdobra em múltiplos formatos e plataformas. Respirando o tema naquela semana, mas falando sobre ele na língua de cada espaço, sabe?
Como funcionará na prática:
Cada conceito começará com um artigo completo no site.
Em seguida, a newsletter aqui trará:
Um resumo conciso do conceito
Aplicações práticas para a indústria criativa
Referências culturais relevantes (filmes, livros, marcas)
Um acionável para aplicação imediata
O mesmo conteúdo será adaptado para:
Threads no Twitter
Carrosséis no Instagram
Vídeos curtos no TikTok e YouTube Shorts
Vai ser pago?
Como profissional-não-herdeiro-que-paga-boletos, busco um equilíbrio saudável entre o que ofereço gratuitamente e o que será exclusivo para assinantes. Conto com a colaboração da comunidade neste processo, tanto na sugestão de conceitos quanto no feedback sobre o trabalho que pretendo desenvolver de agora em diante.
Para os assinantes, estou considerando:
Debates exclusivos com pesquisadores nos conceitos abordados
Artigos aprofundados sobre aplicações específicas
Entrevistas com profissionais de referência
Webinars e aula-casts para aplicação prática
Como participar:
Você pode colaborar sugerindo os temas e conceitos que gostaria de ver explicados. Esta será uma construção coletiva, onde sua participação será fundamental para mapearmos os termos que realmente importam para a indústria criativa hoje.
É claro que vou explicar mais e mais, vou atualizar algumas páginas fixas da newsletter (que no Substack funciona como - quem diria! - um bloguinho) e tudo o mais.
Quis trazer em primeira mão o que ando pensando sobre o futuro aqui.
E de como vamos juntos, decifrar o contemporâneo.
Vem comigo?





Sorry...sensação de mais do mesmo embalado no politicamente correto descolado. Não custa tentar...ou cu$ta?