Vamos falar sobre rejeição?
Por que a vida é curta e intensa para você se sentir assim. Também.
Abro o gerenciador aqui do substaquinho para escrever esta edição que chega nos emails e apps da provável audiência pouco mais de dez horas antes de dispará-lo, com tema/chamado difícil de digerir e, apesar disso, evitar.
Faço isso como quem anota com mãos trêmulas o bilhete que será dobrado em forma de cone e colocado em uma garrafa e lançado ao mar e seguirá à deriva até porto improvável. Eu sou o bilhete, o gerenciador é a garrafa e vocês são o mar.
A edição de hoje, com nossas missões devidamente explicadas, é sobre as rejeições que enfrentamos.
Não é um post de auto-ajuda-quântica. É curto, objetivo, direto e necessário: você precisa aprender a lidar cedo com a rejeição. Isso, claro, se ela existir em sua vida o que é estatisticamente mais do que provável.
Será preciso exercitar certo desprecisar de alguns em detrimento de outros, ou de todos em detrimento de sua tranquilidade. De tempos em tempos será provocado a se posicionar sobre isso, escolhendo o encolhimento ou seguindo como se nada tivesse acontecido, com o pulmão cheio de auto-suficiência disfarçada.
Dizem os praticantes do esporte da saúde mental que rejeição nos pega em dores e dissabores próprios do não-pertencimento. Ao se sentir não pertencente ao desejo do outro, resta à nossa alma, o frio e inóspito não-lugar. Daí para se perder em falta de identidade por não habitar no universo mental do outro, é um pulo.
Mas o que eu proponho é um salto. De fé.
Dito isso, e entendendo que a rejeição é da natureza do Outro, o que de fato me parece ocorrer é que sentimos em nós a estreiteza do Universo Mental que não é, verdadeiramente, o nosso. Refletimos ou atraímos o vazio que é de outro ser e baseamos nossa existência, nossa construção de identidade, a partir da falta. Agimos como os Gargântuas da estreiteza alheia. Ou apenas não sintonizamos com o alheio…
Ufa. Difícil, eu disse que seria.
Aqui cabe uma rubrica sobre o tom deste texto, escrito com resignação de mais de 50 anos passados e não do amargor juvenil das primeiras decepções. Escrevo - e sempre escrevi - para dar substância à certa voz da consciência e seu fluxo, aliás, tema que está na assinatura de meus projetos de conteúdo recentes (“Direto do me fluxo de consciência para os ouvidos da sua…”).
Desde os primeiros contos, como Kakinho e sua trupe circense ou o 918 sobre trajeto noturno e inusitado pelos subúrbios cariocas dos anos 90, o que sempre busquei foi me dar conselhos. De, respirando com calma e em flow, enxergar a partir de certa tendência a escrita mais cadenciada, os pensamentos que me fogem no calor das ações.
Dizem os mais próximos, que me isolei do mundo em um universo mental só meu. E que isso, ao final das contas, nem saudável é.
Eu sou o bilhete, isso aqui é garrafa e vocês são um mar.
Mas, pelo menos, sigo seco.
Será uma edição curta. Prometo voltar à programação normal em breve.
Sim, até hoje tem biscoitinhos.
🎧 Mais uma vez Rádio Escafandro abrindo os biscoitinhos, tudo culpa de seu episódio 146 onde, em entrevista com o escritor Sérgio Rodrigues, conhecemos possíveis desdobramentos da literatura em época de robôs repetidores de fórmulas. Dá para ouvir aqui →
📖 Ted Chiang está andando pelo meu Kindle com sua coletânea de contos mais recente, Expiração →
📡 Tentei ser todo literárizionho, perceberam? Mas a vida prática cobra. Então, lá vai este artigo da Forbes nos contando porque 95% dos projetos de IA in-company falham. O MIT analisou mais de 300 iniciativas globais e revelou que o problema raramente é técnico, quase sempre é cultural. Spoiler: tem pouco a ver sobre a tecnologia em si →
Agora fui, de verdade. Até semana que vem!





